CONTO PARALELO

Conto paralelo publicado pelo blog parceiro http://overshock.blogspot.com. 3 capítulos sobre a origem dos Espectros.


ESPECTROS


- A Parede Mofa -
Na rua a escuridão era intensa, e o manto da noite fria só era rompido pela fraca iluminação dos velhos postes de ferro já corroídos pela ferrugem. Hora ou outra falhavam e eram vencidos pelo breu da noite dando assim, abrigo as criaturas noturnas, não mais intimidadas pela claridade.
Estava Amadeus atormentado seus olhos vidrados na parede mofa que se destacava das demais de seu velho apartamento. Pensava ele o que poderia ser aquela imagem que parecia querer formar algo, um desenho ia sendo contornado lentamente dia após dia.
Aquilo o atormentava, e ele achava estranho algo aparentemente insignificante o prender tanto a atenção e fazer tão mal, a figura inanimada não se definia.
Inquieto, e deitado em sua cama que já não era arrumada há dias, assim como o resto de sua casa, seus lençóis sujos, e restos de comida percebiam-se por todos os lados.
A parede mofa o tirava o sono que já não era dos melhores, pois sofria de insônia e passava dias sem dormir, por isso pensava ele ser o motivo de suas perturbações e pesadelos horríveis quando raras vezes que pegava no sono, vencido seu organismo já debilitado pelo cansaço.
Corria Amadeus como nunca o fizera antes, Algo o perseguia.  Olhava para traz em meio à multidão que ia e vinha de boates, bares e cabarés. Luzes de neon de todas as cores. Por mais que quisesse não conseguia despistar a estranha criatura que o perseguia. Criatura essa inumana que passava por entre as pessoas como se elas ali não tivessem matéria. Vinha a meio metro do chão.
Finalmente alcançou-o. Olhou para face de seu perseguidor e o que viu paralisou-o instantaneamente. O ser flutuava à sua frente. Vestes negras que mais pareciam trapos. Um grande manto quase imperceptível se não fosse as luzes de neon dos estabelecimentos e os faróis dos automóveis que passavam a todo instante. Sentiu-se sugada, sua alma esvaindo do corpo como se fosse areia por entre os dedos até perder a consciência e acordar do sono.
Seu corpo trêmulo como em convulsão fora se aquietando lentamente. As vestes encharcadas como se tivera a pouco saído de uma tormenta do olho do furacão.
O gelo de sua pele só era quebrado pela febre de quase 40 que já coagulava suas células e o fazia desmaiar.
Todos os dias da última semana fora assim. Estava esgotado fisicamente e psicologicamente. Ao sair de seu apartamento para a rotina diária; trabalhar sair com os amigos; divertir-se. Quanto mais se distanciava de seu apartamento, sentia aos poucos as energias retornar para seu corpo e alma.
Ele decidira acabar com aquela marca em sua parede. Fizera planos. Comentou com os amigos do trabalho: “Vou comprar tinta depois do expediente e de hoje não passa aquela parede mofa”.
O dia passou rapidamente como todos os outros para ele, só que esse fora diferente ao cair da noite. Ao retornar para o seu apartamento andara os últimos quarteirões. As luzes dos velhos postes produziam a única luminosidade das ruas. Amadeus sentia que algo vindo do breu da noite o olhava o tempo todo. Aquilo o incomodou. As luzes fracas falhavam constantemente, fazendo-o lembrar de seus piores pesadelos.
Correu os últimos quarteirões abrindo rapidamente sua porta e trancou-a com a mesma velocidade. Ao retornar para o seu lar pensava estar seguro e protegido. Olhou para parede mofada e esqueceu de todo os seus desejos e planos. Sentou ao pé da cama ainda bagunçada, com baratas e outros insetos que se alimentavam dos restos já podres de comida, e novamente fora sugado para dentro da estranha figura da parede mofa.
Por horas ficou ali e novamente caiu no sono que já não parecia tão raro para quem antes sofria de insônia.
— Finalmente, ele dormiu. — falou uma voz rouca e parecendo ser de alguém ou alguma coisa naquele quarto.
Algo agora percebia-se soltar daquela imagem do mofo da parede, antes sem forma, e agora definida, nítida. Aquilo começou a sair da velha parede e foi direto em direção a Amadeus caído em sua cama.
— Vou me alimentar. — falou a estranha criatura sugadora de energias vitais, emoções e sentimentos.
A criatura pairava a poucos centímetros do corpo de Amadeus. Sua face parecia a de um animal faminto o pouco que podia se notar era um rosto com pele ressecada olhos avermelhados e dentes pontiagudos com cabelo ralos e esbranquiçados cobertos com o manto negro. Suas mãos dedos compridos esqueléticos com unhas pontiagudas como de um animal predador.
Ele encostou sua face na de Amadeus percebia-se que algo saia de sua vitima, uma nevoa com tom azulado ia direto para a boca da criatura. Ele estava ali se alimentando e absorvendo a alma da pobre vítima, mais qual seria o propósito, desta criatura das sombras. Somente se alimentar ou teria algo mais algum plano desse ser malévolo.
Vagner Penna
* * *



ESPECTROS
No princípio de nossa Orbe, a Terra estava informe e vazia; as trevas cobriam o abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas tudo era trevas, e nosso planeta estava mergulhado na escuridão profunda do espaço, então Deus Ordenou “que se faça a luz”, e assim se fez, mas juntamente com a luz surgiram as sombras. Deus chamou à luz dia, e às trevas noite.
Este dia era um dos mais importantes, atacavam o inimigo sem piedade, sabiam que os mesmos não teriam com eles. Maurus Avelas General da lendária 13º Legião estava à frente da batalha, comandava seus homens. Valentes guerreiros de bravuras imagináveis e verdadeiros companheiros, seriam capazes de dar as próprias vidas pela de seu General. Centenas de subordinados queimavam no chão caído naquele território infértil, seus corpos a carne queimava até os ossos muitos mortos, outros ainda agonizando, as flechas flamejantes do inimigo caiam sem cessar sobre eles.
Olhando para aquele Céu estrelado não se podia notar uma sequer nuvem, a Lua cheia revelava a localização ao inimigo.
Se pudesse comparar com algo o que os olhos cansados do General o faziam ver, aquelas saraivadas de flechas incandescentes pareceriam com. “um imenso enxame de vagalumes de fogo”.
Em segundos ele se viu como em um pesadelo, distanciava do corpo ali inerte naquele chão úmido, seu sangue encharcava aquela terra morta, algo o puxava para longe, escutava vozes gritos, gemidos por todos os lados. Será que são os meus homens pedindo ajuda ao seu General? - Pensava ele. Juntamente com ele outros eram levados por uma força ainda não conhecida, ele os sentia.
Caindo em um abismo, parecia não ter fim a escuridão era quase total, conseguia perceber que junto muitos outros caiam.
Prezo como em um furacão, uma força descomunal arrebentava o corpo e jogava para todos os lados, a dor era tanta que perdeu a consciência.
Ficou ali desacordado por muito tempo, quando abriu os olhos percebeu que não estava mais em seu continente, - que lugar é esse? Seria esse o inferno os deuses estariam me castigando por tantas mortes. Pensava o General Maurus Avelas, o corpo quase nu somente a vestis da parte de baixo do traje de batalha sentia frio, os membros relutavam a obedecer, os pensamentos eram confusos quase não se sustentava em pé.
O esforço foi imenso para poder levantar e começar a andar, tinha de procurar uma forma de sair daquele local, andou até seus pés não agüentarem mais.
A paisagem era estranha tudo parecia noite, em alguns pontos o fogo rompia a terra e queimava o solo iluminando por alguns minutos aquele vale dos mortos. Não se percebia passar o tempo, mas, a fome e a sede já se faziam sentir, o General não entendia, achava que estava morto, mais ao mesmo tempo pensava. — “Como posso estar morto se sinto todas as dores da carne”.
Chegou ao alto do vale. No outro lado viu centenas de pessoas gritando, outras agonizando em meio a pântanos negros caudalosos e o fogo que hora ou outra queimava.
Era até difícil descrever algo já mais visto por ele. Como esse lugar ele viu inúmeros, sempre caminhando tentando encontrar algo ou alguma coisa que o pudesse ajudar a sair ou pelo menos entender aquele lugar.
Assim ele caminhou por vales umbralinos, até quase esquecer completamente quem fora em vida, aquele grande general estrategista, um dos maiores guerreiros do império Lemúriano, agora parecia um cadáver ambulante, protegia o frágil corpo com restos de trapo que encontrara pelo caminho se um dos seus o vissem assim nunca o reconheceriam pensava ele.
Parou para descansar e encostou-se a uma pedra e ali, permaneceu em meio a centenas de outros, alguns desfigurados outros mutilados, indiferente aquilo para Maurus já não causava espanto ele mesmo parecia um cadáver em decomposição.
Alguém gritou ao longe, com muito medo.
- Eles estão chegando.
O ex-general se quer esboçou levantar o rosto para olhar o que estava acontecendo, permaneceu ali cabisbaixo, com a face escondida pelo capuz, os outros apavorados tentavam fugir de algo que se aproximava.
Aquela região umbralina era escura por natureza tudo parecia noite, no entanto dava para enxergar e perceber as coisas.  As estranhas criaturas pareciam escurecer ainda mais o local, como uma tempestade negra, escondendo qualquer feixe de luz que pudera haver ali.
Passaram pela região e parecia que não iriam parar, procuravam alguma coisa ou alguém em meio à multidão, olhavam la do alto. Olhavam as almas dos aflitos, e podiam perceber suas amarguras, decepções e o ódio que cultivavam eles os enxergavam diferentes, podiam ver como a áurea uma assinatura de cores das almas e em meio a tantos correndo assustados, um Espectro identificou o que procurava.
Os Espectros começaram a descer um a um. Com seus mantos negros que cobriam totalmente o corpo, em um total de 7, um deles tomou a frente parecia ser o líder, aproximou-se de Maurus Avelas que permanecia ali cabisbaixo sem interesse no que estava acontecendo a sua volta.
— Levante se condenado. — Falou o ser.
Maurus permaneceu do mesmo modo, não se importando com mais nada.
— Eu te ordeno! — falou o ser.
Maurus então levantou levemente o rosto, foi quando à criatura a tocou com sua mão de pele avermelhada, aparentemente ressecada e com dedos longos.
— Estávamos a sua procura há tempos. — Soubemos que desencarnou e tínhamos planos para você. — falou o Espectro.
Maurus sem entender o que estava acontecendo perguntou;
— Quem são vocês criaturas das trevas?
— Somos Espectros, a serviço dos Senhores da escuridão os Magos negros. — Respondeu o ser com ar de superioridade e demonstrando adoração por seus superiores.
— Você estava sendo aguardado. - nossos senhores já o sondavam em vida.
— Mas porque eu? Pergunta Maurus.
O espectro responde. — Você é um estrategista nato, um grande líder e acima de tudo um pecador. — Nossos superiores querem você em nossas tropas.
— Você será como eu um espectro de primeira grandeza o levaremos deste local e ficara a nossa custodia. Irei lhe ensinar pessoalmente tudo que sei — falou à criatura.
O ex-general já cansado de tudo que vivera naquele inferno não pensa duas vezes, sentindo que pudera novamente ser aquilo que nascera para fazer. Comandar e lutar. Ele puxa o ar rarefeito daquela região, enchendo seu pulmão, podre em decomposição e fala: ‘’siiimmmmm’’.
Os espectros dão uma gargalhada estridente como em comemoração e em seguida o rodeiam todos começam novamente a modificar a roupa fluídica. Eles o levantam suas vestis vão saindo de seu corpo, castigado pela permanência naquela região, com os braços abertos Maurus grita os Espectros vão proferindo algumas palavras incompreensíveis. Maurus agora com o corpo sem ferimentos some juntamente com os Demônios na mesma nuvem negra na qual chegaram.
Vagner Penna
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ESPECTROS
(Antes leia Capítulo 2 – A Origem)
- A Médium e o Zelador de Santo –
Uma das versões mais aceitas popularmente, sobre a origem da Umbanda fala sobre o médium Zélio Fernandino de Moraes que em meados do ano de 1908, acometido de uma doença misteriosa, foi levado por familiares a Federação Espírita de Niterói. Em determinado momento dos trabalhos da sessão Espírita manifestaram-se em Zélio espíritos que diziam ser de um índio e um escravo. O dirigente da Mesa pediu que se retirassem, por acreditar que não passavam de espíritos atrasados (sem doutrina). Mais tarde, naquela noite, os espíritos se nomearam como Caboclo das Sete Encruzilhadas e Pai Antônio.
Devido à hostilidade e a forma como foram tratados (como espíritos atrasados por se manifestarem como índio e um negro escravo). Essas entidades resolveram iniciar uma nova forma de culto, em que qualquer espírito pudesse trabalhar, as entidades começaram a atender na residência de Zélio todos àqueles que necessitavam. Fundou a Tenda espírita Nossa Senhora da Piedade. Essa nova forma de religião inicialmente foi chamada de Alabanda, mas acabou tomando o nome de Umbanda. Uma religião sem preconceitos que acolheria a todos que a procurassem: encarnados ou desencarnados, em todas as bandas.
Suzete de Lins era uma pessoa extraordinária de extrema sensibilidade espiritual, ela freqüentava há anos um terreiro de Umbanda no interior da grande metrópole São Paulo.
Considerada pelo Pai de Santo que nunca ostentou esse titulo, uma das mais fortes médiuns da casa. — Sua mediunidade vem de berço. Dizia ele.
Suze como era carinhosamente chamada pelo Pai de Santo “Antonio de Oliveira” o auxiliava nos trabalhos da casa. Em uma das sessões que acontecia sempre rigorosamente aos sábados, Suze atendera um homem aparentando não mais de 30 anos de idade, totalmente debilitado física e psicologicamente.
Ela percebera pela sua clarividência aflorada que o homem sofria de um quadro extremo de “parasitismo”, em processo avançado de obsessão, notou que seu corpo era tomado pela cólera, e que inúmeras larvas mentais estavam prezas ao seu perispírito. Percebeu também que um feixe muito sutil quase impercebível na cor roxa ligava o seu cordão de prata, diretamente do umbigo a algo ainda desconhecido.
Por Suze ser uma médium clarividente sua função no terreiro era triagem dos que procuravam ajuda para os diversos males do corpo e da alma. Ao avaliar o caso mais grave da noite ela pede esclarecimento ao dirigente da casa:
— Esse irmão está sofrendo um forte ataque de forças de extrema grandeza. — Disse Suzete ao dirigente da casa.
— Um dos casos mais graves que já tivemos em nossa casa, em todo esse tempo, que a freqüento. — gostaria que o senhor desse-me o entendimento se assim for permitido pelos nossos irmãos espirituais. — O que poderia está fazendo isso com ele?
— Primeiramente Suze, novamente eu lhe digo. — Não sou “Pai do Santo”, e sim Zelador e acima de tudo chame-me pelo meu nome. Falou ele.
O Zelador de Santo como gostava de ser chamado o Pai Antônio de Oliveira era uma pessoa de temperamento forte, mas amável e acima de tudo humilde, com seus quase 40 anos à frente do terreiro já havia visto muitas coisas ajudado inúmeras pessoas. Já havia atuado em diversos casos de obsessões, e ele sabia como o ser humano podia ser infinitamente bom ou ruim.
Ele fazia sua parte para ajudar o próximo buscando sempre o bem.
Antônio de Oliveira pede para Suzete esperar que suas perguntas e dúvidas fossem sanadas pela entidade que abriria os trabalhos da noite.
Suzete então se contêm e pede para o obsidiado sentar em um dos bancos que ficava a disposição da assistência que aguardava para ser atendida pelas entidades que ali desceriam.
Após algum tempo os trabalhos são iniciados, todos os membros da casa estavam de véstias brancas simbolizando a pureza, a paz e acima de tudo a luz. Os ogans como eram chamados os filhos da casa responsáveis por tocar os atabaques (tambores feitos de madeira e pele animai), entoavam os pontos, (cantigas que tinham um significado importantíssimo nas reuniões). Eles tocavam e cantavam. Os outros trabalhadores da casa cantavam juntos.
“Preto- velho quando tem luz
Ele arria em qualquer lugar
Primeiro cumprimenta Zambi
Sarava coroa
Sarava Conga”.
Simultaneamente os médiuns da casa foram recebendo as entidades. Suzete desenvolvera o dom da clarividência, mas não recebia entidades, e ficava como cambone (pessoa que dava assistência para os médiuns incorporados).
A gira era de Preto-Velho, entidades tidas como as mais fortes e sabias dos terreiros, que às vezes enganavam os leigos por sua aparência velha e frágil.
Na assistência o rapaz tremia como que influenciado pela força dos atabaques, Suzete atendia a entidade do dirigente da casa, mas sempre observando o rapaz, ela tinha o dom de ver os espíritos das sombras e os da luz. E sentia uma forte ligação com o rapaz.
O preto-velho do dirigente pede que Suzete conduza o rapaz até ele. Sentado em um toco de madeira a entidade toma seu café bem forte sem açúcar e da pitadas em seu cachimbo.
O rapaz se aproxima e senta em um banco já posicionado a frente da entidade, que pega nas mãos do rapaz e diz:
— Meu fio voz micê ta muito ruim. — o vozinho ta bizoiando muita maldade em cima de oce.
— Fazendo o sinal da cruz com os dedos banhados no óleo benzido na testa do mesmo, inúmeras vezes enquanto ia falando sem deixar que o rapaz pronuncia-se nada. Assim como deve ser as entidades serias que descem em médios preparados para caridade.
— Isso que suga sua energia fio é um espírito muito veio que há tempo não volta para carne, (Reencarna). — Ele foi mandado, isso preto-velho tem certeza, só num posso afirmar por que ou por quem.
— Temo que faze um trabaio de limpeza no seu cazua, para tirar esse mau doce. — E descobri quem o mando fio.
À medida que a entidade falava com seu dialeto simples, e de origem escrava, ia retirando os vermes do corpo do rapaz. Os vermes caiam um a um no chão e sumiam. Suzete via os vermes e o efeito do óleo na áurea do rapaz que aos poucos mudava a tonalidade e o tamanho, equilibrando novamente seu espírito. Mas tanto ela como a entidade do preto-velho, sabia que aquilo seria uma ação de alivio, mas que os vermes voltariam a causar dores nele se a limpeza espiritual não fosse realizada em sua casa e o verdadeiro vampiro de suas energias não fosse destruído.
Assim o preto-velho termina ha sessão com o rapaz. Suzete o conduz novamente para o banco da assistência e pede que ele fique até o termino do trabalho para que ela possa anotar o seu endereço e seu nome completo para o trabalho de limpeza que deveria ser realizado em seu lar.
O preto velho e as demais entidades continuam o atendimento as outras pessoas que ali também estavam à procura de ajuda.
Ao termino do trabalho agora já sem as pessoas da assistência, o Zelador de Santo Antonio Oliveira e Suzete de Lins explicam os procedimentos que devem ser tomados pelo jovem ao retornar para seu lar, eram coisas simples, mas que serviam de proteção mesmo que provisória até a limpeza definitiva de sua casa.
— Você deve colocar um copo com água e sal grosso atrás de sua porta de entrada. —Falou o Zelador e continuou — também comece a ter o hábito de acender uma vela de sete dias e a oferecer para seu anjo da guarda.
— E continua o Zelador. — não se esqueça do mais importante. — Hoje ao chegar a seu lar, antes de qualquer coisa tome um banho de sal grosso para afastar possíveis vermes e também a entidade que o obsidia.
O rapaz escutava tudo atento ele sabia que essas pessoas que o acolheram tão bem e não pediram nada em troca pela ajuda, era a sua única chance de retirar esse mal que o consumia. Ele já havia buscado ajuda em outras religiões, mas de nada adiantou.
Após as explicações e recomendações o Zelador deixa Suzete encarregada de anotar os dados do rapaz e sai.
— Qual é o seu endereço? — perguntou Suzete.
— Moro na Rua Tenente Pek, numero 300, Vila Imperador.
— Qual seu nome? — indagou Suzete.
— Meu nome é Amadeus Siqueira. — responde o rapaz.
Vagner Penna


Quem é Vagner Penna? Vagner Penna , nasceu em São Paulo, Capital, em 1978. Formado em Ciencias Biologica, trabalha, atualmente, como Funcionario publico na cidade de Poá. Lançou seu primeiro livro Livro Weigon Estrander e a sociedade da espada negra em 2012 , pela Editora Aped. E logo publicara o segundo trabalho o Romance O Sétimo dom.